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A raiz de tudo

por titi, em 13.01.15

O bairro onde os irmãos Kouachi viveram e onde quase ninguém quer falar

Os dois irmãos nasceram em Paris, filhos de argelinos, Saïd em 1980, Cherif em 1982, mas foram criados num orfanato em Rennes, no noroeste do país, e regressaram depois à capital, ao 19º. Cherif trabalhou por aqui, num supermercado, a distribuir pizzas.

Antes e depois da prisão
Foi nessa altura que Cherif conheceu Farid Benyettu, o jovem que as autoridades consideravam o “ideólogo” da “célula de Buttes-Chaumond”. Cherif decidiu viajar para o Iraque mas foi detido antes de o fazer. Os advogados que os defenderam falam de “jovens perdidos” que viram na mesquita uma “possibilidade de família”.

“Eles queriam ser os melhores muçulmanos”, diz Dominique Many, um dos advogados do grupo, citado pelos jornais franceses. Cherif foi a tribunal em 2005 e agradeceu ter sido travado antes de chegar ao Médio Oriente, garantindo que tinha dúvidas e vontade de desistir. Foi condenado a três anos de prisão, transformados em 18 meses de pena suspensa por já ter cumprido dois anos de prisão preventiva.

“Ele estava muito mais radicalizado quando foi julgado, em 2008, do que em 2005”, recorda Many, ouvido pelo New York Times. “Talvez tenha sido na prisão que se tornou no Kouachi que conhecemos nos últimos dias.” Farid, libertado em 2011, formou-se entretanto em enfermagem.

Cherif voltou a ser interpelado em 2010, desta vez com o irmão. Acusados de conspirarem para libertar da prisão Smain Ait Ali Belkacem, antigo dirigente do Grupo Islâmico Armado argelino, condenado por um atentado que matou oito pessoas num comboio de Paris em 1995, foram ilibados por falta de provas.

Orfanatos e prevenção
Nasser, 53 anos, 30 em França, dez no distrito 19.º, não se importa de falar sobre o bairro e os atentados. “Isto impressionou-me muito, o meu percurso foi semelhante”, explica. Nasser veio da Argélia com a mãe, mas viveu grande parte da adolescência em orfanatos, nos arredores de Paris e em Bordéus.

“Muitos destes jovens cresceram em instituições que não lhes oferecem grande coisa. Exige-se o cumprimento do regulamento interno, mas não se está realmente atento. E não era assim tão difícil, os miúdos difíceis não são muitos”, diz. Os problemas começam aí, defende Nasser, que trabalhou muitos anos na prevenção social, em centros de bairro, mas desistiu e agora se dedica à escrita e à música. “Aqui, por exemplo, não me quiseram por viver cá. Acharam que estava muito próximo dos jovens. As pessoas que fazem este trabalho só querem cumprir um horário, quando deviam ter um sentido de missão, de sacerdócio.”

Nasser fala de jovens que “vivem o dia-a-dia”, sem perspectivas, que nunca “aprenderam realmente a viver em sociedade”. Depois, “depende do bairro aonde vão parar”. “Cada bairro tem um espírito e esse espírito define a tendência, o poder, como na política. Educação, prevenção social, não significa organizar umas férias de vez em quando, como fazem os centros. É preciso conhecer os grupos, identificar quem tem o poder e recuperar essas pessoas.”

Podia ter sido eu. É isso que me angustia”, explica. “Acho que o que me salvou foi escrever”, afirma. “Num dos meus primeiros textos, escrevi ‘fizeram de mim um assassino, mas o meu imaginário não deixou’”.

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