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O meu coming out

por titi, em 24.02.14

Não sou leitora de banda desenhada. O homem da casa já tentou. Pensou e seleccionou com amor o melhor do seu acervo. Escolheu criteriosamente três ou quatro livros que acha obrigatórios e acessíveis a não iniciados. Passou-mos e ficou à espera da reacção. Eu, um penedo, como em todas as outras tentativas. Irrita-me, distrai-me, não consigo. Os desenhos são ruído, não me deixam concentrar no essencial, que é o texto. Desisti, nunca hei-de gostar de ler banda desenhada. Sei que sou uma parede, um boi, um penedo, uma besta, um tronco e aqui e agora faço o meu coming-out: sou a Titi e não gosto de banda desenhada.

And yet ... esta prancha, oh esta prancha maravilhosa ...

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Depois das cólicas, dos dentes e sei lá que mais, a biologia

por titi, em 24.02.14

 Como apregoei infinitas vezes aqui e em todos os sítios onde estiveram para me ouvir, o Vasco deu-nos noites tormentosas até perto dos três anos. Houve noites de tamanho desespero que estou certa de nem sempre o ter tratado com a serenidade e a paciência de que ele precisava mas estava exausta e em muitos momentos pensei que não aguentava nem mais uma noite assim. Chorava (ele e eu), contorcia-se, dava sapatadas no ar, chamava, sentava-se, queria brincar, queria o pai, queria a mãe, queria colo numa posição específica, um horror. Idas à pediatra, telefonemas para a pediatra, Atarax, gotas naturais, mudar o leite, eliminar o leite, tentámos tudo. Estivemos a um triz de contratar um senhora que faz vida de ir passar noites a casa de pessoas em situação limite, acalmar bebés com o nosso.

Fiquei mais burra, mais desmemoriada, mais olheirenta e com muito mais cabelos brancos do que se não tivesse tido um filho assim. Aliás, se ele tivesse sido o primeiro, tenho sérias dúvidas de que nos tivéssemos atrevido a deitar ao mundo um segundo.

Agora, com três anos recém feitos, a coisa mudou. É verdade que é rara uma noite sem nos chamar mas basta que eu me enfie na cama com ele e, geralmente mas não sempre, sossega e dorme. Sim, a meio da maioria das noites mudo para a cama dele. Não é a maneira certa de fazer a coisa (a coisa=educar)? Não promove a autonomia, a independência, a auto-estima, essas cenas? Olhem para mim preocupada. Consigo dormir mais do que quatro ou cinco horas interrompidas, logo parece-me o arranjo perfeito. Pelo menos, o possível para me aguentar de pé durante o resto do dia.

Depois de uma série de noites boas, na madrugada de sábado voltei a ver a vida a andar para trás. Estávamos a passar o fim-de-semana na casa dos meus pais e a dormir todos no mesmo quarto. Às cinco da manhã ouço:

''Mãe!''. Fiz-me moita.

Outra vez, ''Mãe!''.

E eu, ''Cala-te que acordas o António''.

''Mãe, temos esqueleto no corpo todo?''

''Sim, temos. Dorme.''

''E ele morde?''

''Dorme.''

''O esqueleto é mau?''

''Porque é que estás a pensar nessas coisas agora? É hora de dormir!''

''Vi no livro do ''corpo-do-mano''.

Depois, lá se apaziguou com a imagem do esqueleto do livro do corpo humano e dormiu. Eu é que já não. Outra vez.

 

 

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