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Sou uma pessoa muito feliz

por titi, em 02.12.15

O almoço foi passado a combinar os pormenores do jantar de Natal com os amigos do trabalho, que vai ser de arromba.

Chegada ao gabinete, tinha mensagens no whatsapp e no facebook a marcar:

          o jantar de Natal das primas, aka ''jantar para dizer mal das sogras'.

          o almoço de amigos do próximo sábado num sítio que adoramos.

Eu e os meus estamos incluidos nos almoços do 1º domingo de cada mês instituído por um subgrupo de primos+seus pais+seus filhos embora não sejamos pais nem filhos de nenhum deles. As regras deste almoço prevêm que cada família providencie, à vez, o almoço. Até aqui tudo muito razoável a menos de um detalhe: eu e os meus estamos excluídos desta obrigatoriedade, só temos de aparecer, juntarmo-nos ao convívio e não fazer nada, basicamente. Está bem que lá em casa eu e os meus somos como filhos, irmãos e netos e els são nossos pais, irmãos e sobrinhos mas isto é demais, esta gente está doida. Ou então não confiam nos nossos cozinhados, poderá ser isso.

 

E eu tenho sempre presente que sou uma pessoa com muita sorte por ter pessoas de quem gosto tanto e que me retribuem na mesma medida em todos os quadrantes da minha vida.

(Mas agora já paravam as mensagens a pingar no facebook para acertar as combinações que uma pessoa gostava de trabalhar, está bem?).

 

 

 

 

 

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Dar é receber

por titi, em 21.10.15

Andei durante anos com o contacto da Associação Coração Amarelo na agenda com a intenção de um dia lhe oferecer os meus préstimos. Depois de ter tido filhos, a minha condição de mãe-que-passa-metade-da-semana-fora-de-casa dificultou as coisas e nunca consegui arranjar disponibilidade para oferecer duas horas (ou o tempo que fosse) da minha semana para fazer companhia a uma pessoa idosa que estivesse sozinha. Quer dizer, as duas horas eu até conseguiria arranjar, o compromisso do dia e hora marcados sem poder defraudar a pessoa é que seria impossível manter. Assim, com muita pena, nunca contactei a Associação e nunca fiz companhia a ninguém.

Ora deu-se o caso de há uns tempos, em conversa com alguém, eu ter ganho consciência de que dentro da minha própria família há várias pessoas acima dos 80 anos cuja companhia me é preciosa e que muito apreciam a surpresa de uma visita não combinada. Fiquei a matutar em quão retorcido me parecia andar a bater a portas para oferecer os préstimos da minha pobre companhia a uma instituição quando não faltam destinatários para ela aqui mesmo ao meu lado.

E assim decidi instituir alguma organização nas visitas erráticas que faço aos nossos velhotes (a minha mãe, com 74 anos, é a 2ª mais nova de 5 irmãos por isso velhotes é coisa que não nos falta na família) e prometer a mim própria tentar nunca falhar 1 visita + 1 telefonema semanal.

Tenho mais ou menos conseguido, sem dificuldade nenhuma (o facto de os meus filhos adorarem frequentar as casas em causa ajuda bastante). Estou a falar de tios que não têm falta de companhia e que passam parte do tempo rodeados de filhos, netos e sobrinhos e por isso fico ainda mais sensibilizada com o prazer evidentíssimo que as minhas aparições lhes dão. Poder-se-ia pensar que nenhum eles, com tantos filhos e coisas do género, não precisaria de mim para nada mas é gigante a satisfação que lhes dá uma visita, por mais breve que seja (a eles e a mim, que não concebo a minha vida sem frequentar estas casas) e essa alegria é uma recompensa gigante.

E depois, claro, pode parecer que se está a fazer uma coisa por outra pessoa mas a verdade é que somos nós que acabamos a ganhar mais.

Na última visita que fiz à nossa tia Ita, que estava um bocado abatida, pedi-lhe que me contasse a recordação mais antiga que tinha. Quando mergulha no baú das recordações, ninguém se lembra que a dita Ita tem 88 anos porque a memória do passado - e a do presente também - mantém-se intacta e muito presente (e muito divertida também). Lembrava-se de ter três anos e ter fugido de casa para ir aos avós (uma caminhada de dez minutos) de ter chegado e de as tias que lá moravam lhe perguntarem:

- aonde vais, meu amor?

e ela:

- shh, que ando fugida!

A história foi contada de uma maneira tão sentida e a Ita transportou-se tão profundamente para os seus três anos e para a recordação da casa dos avós, que adorava, que só por isso a conversa já teria valido a pena. Mas ela entusiasmou-se e continuou a partilhar memórias com tanta graça* que eu saquei de um papel (por acaso roubei-o às priminhas de três e seis anos que estavam a desenhar na sala) e desatei a anotar tudo.

Lembro-me imensas vezes do escritor António Alçada Baptista dizer que achava muito subestimado o valor da ''pequena história'' na grande História do nosso tempo. Posso dizer com toda a verdade que a minha pessoa não padece deste mal. Pelo-me por pequenas histórias e registo-as com um frenesim quase histérico, sempre com os meus filhos em mente porque sei que um dia vão adorar ler estas coisas. Que no fundo é a razão de este blog existir. A nossa Ita está completamente comigo nesta.

ita.jpg

Mantenho a vontade de um dia me juntar à Coração Amarelo e tenho a certeza de que a oportunidade chegará. Os mais velhos da minha família apreciam as minhas visitas mas solidão não é mal que lhes assombre os dias, mesmo que eu não apareça. Mas há por aí tantos e tantos que passariam a semana sem falar com ninguém se não fosse o voluntário da Associação...

 

* Não me passava pela cabeça que a nossa mãe, que foi uma criança muito doente, fosse levada ao Dr. Cardoso, a S. Cosme, a pé, num cesto carregado à cabeça pela caseira dos nossos avós. Caraças, a vida era mesmo difícil.

 

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O último estalo que o meu pai me deu

por titi, em 23.01.15

Foi por volta de 1996 ou 1997, tinha eu 26 ou 27 anos e foi mais do que merecido. Na altura, dava explicações de Matemática a muitos alunos de várias faculdades de Lisboa. Adorava dar essas explicações que durante vários anos foram o meu trabalho e um trabalho bem rentável, financeiramente e na satisfação que me davam. Conheci montes de gente - foram mesmo tantos que não consigo recordar todos - e houve muitos que me deixaram gratas recordações. O primeiro foi o G., uma amor de rapaz que aindava para aí no 7º ano quando começámos, estando eu nos primeiros anos do curso. Na primeira lição falámos já não sei de quê mas lembro-me que quando ele foi para casa e a mãe lhe perguntou se já sabia fazer contas de dividir, ele respondeu ''não, ela também não sabia!''. Era verdade mas não impediu que ali nascesse uma simpática relação professora-aluno que durou imenso tempo e da qual nasceram outras e outras e outras. O aluno que me ficou como o mais simpático de todos era o F., que bem gostava de reencontrar. Não teve muitas explicações mas como andavam por lá vários primos e a namorada dele, mantivemos o contacto durante algum tempo. Estava muito pouco interessado na matéria, só queria safar-se, e ficou a achar que eu fazia milagres quando teve teste de Álgebra Linear logo a seguir à primeira explicação e conseguiu ter 10. Porque era espero e realmente apanhou tudo o que se disse na explicação, porque a disciplina era fácil e porque o teste tinha sido especialmente fácil. E, claro, 10 era uma nota da treta mas a ambição dele, no início, não era grande. Era uma rapaz amoroso que acabou por mudar de curso e tirar Arquitectura Paisagista e que nas férias andava em barcos ao largo dos Açores a contar golfinhos.

Onde é que eu ia? Ah, o estalo.

Durante dois semestres dei aulas a dois amigos que também adorava. Um, já conhecia, o outro era amigo do primeiro. Eram dois rapazes impecáveis, que me faziam rir até à exaustão de tão cómicos que eram. Eram alunos muito capazes mas as disciplinas em causa eram bem difíceis e passava metade do tempo da aula a tentar lembrá-los de que ali o tempo era o dinheiro deles e para se calarem e andarmos para a frente. Quando fizeram a últma disciplina ficaram tão contentes - e eu também - que me convidaram para jantar e eu, claro, aceitei com muito prazer. Se não me engano, fomos ao Alcântara-Mar e a seguir ao (defunto?) Plateau. O máximo. Não me lembro do que fizemos a seguir mas como a noite acabou sei muito bem. Desaguámos no Cinearte quase de manhã e tivemos a enorme sorte de lá estar o Jorge Palma, num estado muito pouco recomendável, a cantar para os amigos. Quase a cair da cadeira (ele, não eu), nunca mais o vi a cantar tão bem.

Para acabar, cheguei a casa às 8h da manhã e fui recebida pelo meu pai, ainda vestido, que ainda antes de dizer fosse o que fosse, me pregou o maior estaladão na cara de que há memória. Eu tinha saído às oito da noite, dizendo que ia jantar com dois alunos, e só voltei a aparecer em casa na manhã seguinte sem dizer água vai nem ir a uma cabine telefonar (ainda não havia telemóveis, está bem?). Os meus pais estavam doidos de preocupação e iam começar a telefonar para os hospitais.

Abençoado estalo, devia ter dado muito mais. Oh, doce estupidez da juventude.

Lembro-me desta história de cada vez que vejo o Jorge Palma na televisão ou quando o vejo ao vivo, que é o que vai acontecer na próxima 3ª feira.

 

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Eu e ele

por titi, em 20.01.15

Quando ele vai trabalhar e eu fico com os filhos doentes:

A casa, um brinco, divisões arejadas, camas feitas, roupas dobradas, louça do almoço na máquina, cozinha impecável. Brincadeira com os filhos perto de zero.

 

Quando eu vou trabalhar e ele fica com os filhos doentes: Casa devastada, camas desfeitas, roupa espalhada, toalhas amontoadas, restos do almoço na mesa, cozinha imunda.

Na sala, construções elaboradíssimas em Lego, todos sentados no chão alheados do pardieiro que os cerca, concentradíssimos a acabar um foguetão ou um teleférico ou outro veículo rebuscado que os ocupou a manhã inteira.

 

Viva a diversidade!

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Fenómenos no Entroncamento

por titi, em 05.01.15

Vinhamos de Lisboa para o Porto sem pressa e resolvemos propor ao mini-pessoal cá de casa uma volta por sítios bonitos que nos ficassem mais ou menos no caminho. Estávamos a pensar em Óbidos, S. Pedro de Moel, Aveiro, um sítio pequeno e maneirinho que eles não conhecessem e desse para visitar a pé e que agradasse a filhos e pais. Perguntámos-lhes onde gostavam de ir e, claro, correu-nos mal.

- (entusiasmados) Meninos, digam lá um sítio entre Lisboa e o Porto que gostassem de ir conhecer!

- (super-entusiasmados) Entroncamento, Entroncamento! 

- (mãe) Ahn?!

- (pai, mais esperto) Mas o Museu Ferroviário está fechado para obras...

- (eles) A estação do Entroncamento tem muitas linhas e dá para ver locomotivas antigas, queremos ir ao Entroncamento!

- (mãe, a ver se pegava) Então e se fossemos às Grutas de Mira D'Aire?

- (eles) Não ligam nenhuma às nossas sugestões, não sei porque é que nos perguntam...

E foi assim que acabámos a tarde em cima de um viaduto a contemplar os comboios que passavam na estação do Entroncamento e a fazer comentários de extraordinário interesse como ''olha um regional'' ou ''aquela automotora deve servir para reparar as linhas''.E nem sequer havia um quiosque aberto para comprar o jornal.

Abaixo a democracia na família. Manda a mãe e acabou-se.

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